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quarta-feira, 17 de outubro de 2007

DIA MUNDIAL CONTRA A POBREZA


"A campanha do Apelo Global para a Acção contra a Pobreza terá um lugar na história da mobilização da sociedade civil tal como a que acabou com a escravatura ou a mobilização internacional que acabou com o apartheid."

Nelson Mandela, Trafalgar Square, February 3, 2005


Fundos europeus sem verbas para lutar contra pobreza e exclusão social.
Além das exclusões tradicionais, existem hoje novos grupos de pobres. Risco de pobreza afecta 19% da população. Quadro Comunitário de Apoio sem verbas até 2013 para minimizar a pobreza.

Pelo Dia Mundial para a Erradicação da Pobreza, que se celebra hoje, o INE divulgou que 19% da população está em risco de pobreza e que o País é um dos mais desiguais em termos de distribuição de rendimentos na União Europeia. Ou seja, a minoria mais rica usufrui da maioria dos rendimentos.

A situação é especialmente grave no grupo social dos idosos que vivem sozinhos e das famílias com três filhos ou mais. A esta situação associam-se causas recentes e conhecidas, como o desemprego e o endividamento das famílias.

A situação mantém-se «quase inalterada desde há 10 anos», diz o padre Jardim Moreira, presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza/Portugal. A instituição lembra que 2010 será o Ano Europeu de Luta contra a Pobreza - decisão tomada em Portugal na Cimeira de Lisboa de 2000 - e que, até lá, os países da Europa se comprometeram a tomar medidas contra o fenómeno da pobreza e da exclusão social.

Da consulta de relatórios referentes à aplicação do próximo Quadro Comunitário de Apoio 2007-2013, a inclusão social e o apoio às ONG correm o risco de ser ignorados.

Na opinião das ONG, a sua inclusão na gestão é tanto mais importante quanto mais delas depende o acesso da população pobre às ajudas europeias e a transparência na gestão dos fundos comunitários.

Entretanto, espera-se que 45 mil portugueses participem na iniciativa mundial "Levanta-te" contra a pobreza. O evento, que decorre um pouco por todo o País, começou ontem à noite e termina pelas 21h de hoje.

Fontes: imprensa diária, TSF online, Destak

terça-feira, 16 de outubro de 2007

OS NOVOS POBRES

Em contraste com as alegres notícias ministriais...

Portugal tem uma «nova classe» de pobres

Quatro milhões de portugueses estariam em risco de pobreza se não fossem os subsídios do Estado. Para a presidente da Federação dos Bancos Alimentares contra a Fome, Portugal tem uma nova classe de pobres - pessoas com emprego mas sem um salário para fazer face ás despesas do agregado familiar. Já o presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza considera que falta coragem politica para resolver o problema.

( 10:19 / 16 de Outubro 07 )

Os idosos e as famílias mais numerosas constituem os principais grupos de risco de pobreza em Portugal, ao mesmo tempo que o fosso entre ricos e pobres continua a aumentar.

Isabel Jonet, presidente da Federação dos Bancos Alimentares contra a Fome, diz constatar que há cada vez mais pessoas a pedirem ajuda alimentar do que em anos anteriores.

Ouvida pela TSF, aquela responsável diz mesmo existir uma «nova classe» de «novos pobres» em Portugal, «pessoas que, embora auferindo de um salário, não têm no final do mês todos os rendimentos de que necessitam para fazer face às necessidades do seu agregado familiar».

Isabel Jonet salienta também o facto de muitos jovens trabalharem a recibos verdes, sem possibilidade de pagar a Segurança Social, «que se vêem a braços com situações dramáticas e que muitas vezes têm de pedir apoio a estruturas sociais para poderem sobreviver»

Perante este cenário, Isabel Jonet lança um apelo aos industriais e aos agricultores para que não desperdicem o que lhes sobra, até porque os bancos Alimentares estão receptivos a receber esses bens.

A nova realidade da pobreza em Portugal - pessoas com emprego e um salário que não chega para acudir a todas as necessidades da família - leva o presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza a apontar o dedo ao poder político.

Para o padre Jardim Moreira tem faltado «coragem política» para resolver o problema da pobreza em Portugal. «Não basta pôr soluções de remendos.. que ajudam, é certo, mas não resolve. Por isso é preciso coragem política para poder resolver o problema», adiantou.

FONTE: